Paraná

Colégio Estadual passa por maior reforma da sua história

(Foto: Jose Fernando Ogura/AEN)

O Colégio Estadual do Paraná (CEP), localizado em Curitiba, está passando pela maior reforma e restauro da história. A sede atual do Colégio foi inaugurada em 1950 e desde então nunca havia sido restaurada. Algumas reformas foram feitas ao longo dos anos, mas esta é a primeira vez que o prédio é restaurando, preservando e resgatando características originais da edificação.

São 18 mil metros quadrados de área, distribuídos em quatro andares de edificações além de um andar subterrâneo. Na época de sua inauguração, em 1950, o CEP já foi o maior colégio da América do Sul. Atualmente, 3.563 estudantes estão matriculados no Colégio.

A fachada do prédio está sendo completamente revitalizada. De acordo com o fiscal da obra, Sergio Luiz Soto, o trabalho é delicado porque precisa respeitar as características originais da edificação. “Estão sendo tratadas as trincas, a pintura está sendo refeita e somente em último caso, naquelas janelas onde a estrutura está muito ruim, estamos trocando completamente. Mas este é nosso último recurso porque, por se tratar de uma restauração e por estarmos num edifício tombado, as substituições do material original não podem exceder os 25%”, explica.

Boa parte do telhado do colégio já foi refeita. Agora, os trabalhos estão concentrados nos reparos em alvenaria e pintura no interior do colégio. Os banheiros estão sendo refeitos completamente, assim como  o sistema de prevenção de incêndios. O sistema elétrico também está passando por uma reforma geral.

As obras começaram em dezembro de 2018. De acordo com Soto, é natural que a obra sofra alguns atrasos, uma vez que os engenheiros e trabalhadores iam descobrindo particularidades do prédio no decorrer dos trabalho.s "Nos deparamos com paredes de mais de 50 centímetros de espessura, não fazíamos ideia por onde passavam certas tubulações. Tudo isso causa certa lentidão e é nosso dever trabalhar com cuidado. Como estamos restaurando o prédio, não podemos simplesmente por tudo abaixo e refazer. Temos que preservar ao máximo a estrutura original”, explica.

Desde o início do ano e mesmo antes da paralisação das aulas presenciais em função da pandemia, a escola já estava completamente vazia. Os estudantes foram remanejados para outras cinco escolas de Curitiba, para que as obras do colégio pudessem ser concluídas.

De acordo com a diretora Tânia Acco, a reforma do Estadual é um marco. “Esta obra demostra respeito pelos alunos, pela comunidade escolar e pela história. É um lugar que tem memória, por onde passaram figuras expoentes da nossa sociedade. Reformar o nosso Estadual é demonstrar respeito pela segurança e preocupação com este bem que é de todos nós”, afirma.

O custo total da obra é de R$ 16,9 milhões. O projeto arquitetônico de restauração do prédio principal foi feito pela Volkswagen do Brasil. A previsão é que as obras sejam concluídas no ano que vem.



CEP completa 175 anos em 2021

O Colégio Estadual do Paraná foi inaugurado em 1846, sete anos antes da criação da Província do Paraná, em 1853. Trata-se da mais antiga repartição do Estado.

O professor Ernani Straube foi o último diretor-geral do CEP, entre 1966 e 1969. Antes dele, seu pai Guido Straube - que dá o nome à atual sede do colégio -  dirigiu o CEP de 1932 a 1937.

Straube é autor do livro “Do Liceo de Coritiba ao Colégio Estadual do Paraná”, onde conta a história do colégio, desde sua criação, quando o território paranaense ainda pertencia à Província de São Paulo, como 5ª Comarca.

Para 2021, quando o Colégio completa 175 anos de história, Straube, que está com 91 anos, está trabalhando numa linha do tempo com os principais fatos históricos da escola.

O pesquisador conta que, logo que foi criado, o Liceo ocupava um espaço alugado no Largo da Matriz, atual Praça Tiradentes. Depois, ganhou sede própria num prédio construído na Rua da Assembleia, atual Alameda Dr. Muricy. E ainda passou por endereços na Rua Emiliano Perneta, onde atualmente existe a sede do Instituto de Engenharia e na rua Borges de Macedo, atual rua Ébano Pereira.

Em 1941, foi lançada a pedra fundamental na Praça Santos Andrade para a construção do Colégio, mas o espaço acabou abrigando o Teatro Guaíra. Em 1943 é iniciada a construção do atual prédio do CEP, sendo concluído em 1950.

“No local, como estávamos na Segunda Guerra Mundial, foi feita uma campanha para a construção de um abrigo antiaéreo, e como o Colégio estava em construção ficou decidido que este seria instalado no subsolo  do novo prédio”, conta Straube.