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População de rua tem atendimento jurídico em mutirão social

O mutirão social Curitiba que não Dorme, promovido pela Prefeitura para atendimento à população em situação de rua, ganhou um novo serviço, o de assessoria jurídica. O trabalho está sendo oferecido pela primeira vez nesta quarta-feira (25/9), na Praça Rui Barbosa, onde a ação social vai até as 17h, com oferta de serviços promovidos pelo município e pela sociedade civil.

Em um espaço reservado, dois advogados orientam e fazem encaminhamentos para órgãos como Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil e juizados especiais.

Pela manhã, três pessoas procuraram informações sobre questões alimentícia, previdenciária e trabalhista.

“O que fazemos aqui é a advocacia pro bono, uma atividade voluntária para atendimento a pessoas que de alguma forma se sentem excluídas, seja pela falta de informação ou por não conseguirem acessar um escritório de advocacia”, explicou o advogado Acyr de Gerone, que trabalha na MedPrev, parceira do mutirão social na área de saúde.

Advogado há mais de três décadas, Gerone contou que sempre faz trabalho voluntário e que ver a alegria das pessoas – por serem atendidas e ouvidas – é o que mais o motiva.      

Trabalho ampliado

Em sua sétima edição este ano, o mutirão social ganhou também um novo parceiro, a ótica Diniz, que todos os meses irá doar 15 armações e lentes para as pessoas que forem atendidas no mutirão pelo oftalmologista. A ação já conta com a parceria do Instituto dos Óculos, que mensalmente fornece dez óculos.

Com o apoio da sociedade civil, a população de rua pode também aferir a pressão, fazer teste de glicemia, além de receber atendimento odontológico, alimentação, kits de higiene e acesso a tratamento de desintoxicação em comunidades terapêuticas. Na praça, eles também cortam o cabelo, fazem a barba e a sobrancelha.

“A participação de grupos voluntários e organizações é fundamental para o sucesso dessa ação”, explicou a assessora comunitária da Fundação de Ação Social (FAS) – órgão coordenador do mutirão social, Eliane do Rocio Wosgerau Santos. 

Serviços

O mutirão social oferece também serviços desenvolvidos pelo município, como cadastramento para recebimento de benefícios sociais, cadastro de voluntários, informações sobre cursos de qualificação profissional e encaminhamentos para o Sistema Nacional de Emprego (Sine).

E, ainda, atendimento médico, avaliação clínica de animais, coleta de lixo eletrônico e palestra sobre dependência química.   

Curitiba é exemplo

Gerson Pereira, 50 anos, foi ao mutirão pela segunda vez para pegar os óculos que ganhou, depois de passar pela avaliação médica, em agosto. “Eu ‘tava’ precisando. Gosto muito de ler, mas embaçava tudo”, contou o homem. Operador de máquinas desempregado, Pereira mostrou ainda a prótese dentária que fez depois de ser atendido no mutirão social do mês passado.

Paulista, Edervan Pereira Sousa, 25 anos, também foi atendido pela FAS. Ele recebeu passagens de ônibus para voltar para Ourinhos, onde moram os pais. Nesta terça-feira (24/9), foi encaminhado pela equipe de abordagem social para um abrigo, onde pode se alimentar e dormir, logo depois de chegar a Curitiba. “Fui muito bem atendido. Curitiba está de parabéns”, disse o rapaz.

Parceiros da ação

O mutirão social reúne serviços da FAS, Fundação Cultural, Meio Ambiente, Defesa Social, Saúde, Esporte, Lazer e Juventude e Assessoria de Direitos Humanos.

Entre os voluntários estão a Cruz Vermelha, a MedPrev, o Instituto dos Óculos/ONG Visão Perfeita, a rede de farmácias Descontão, comunidades terapêuticas, e as igrejas Metodista Bacacheri, Sara Nossa Terra, Quadrangular, Assembleia de Deus, Metodista, Batista e ABBA.