Representantes do Paraguai conhecem a cadeia da tilápia no oeste do Paraná
Comitiva liderada pela Itaipu visitou quarta-feira (25) a C.Vale, em Palotina. Objetivo é contribuir com a regulamentação e ordenamento dessa cadeia produtiva no país vizinho
Uma comitiva liderada pela Itaipu Binacional e formada por representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil e do Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai visitou quarta-feira (25) o frigorífico de peixes da Cooperativa Agroindustrial C.Vale em Palotina (PR). O principal objetivo foi mostrar o funcionamento dessa cadeia produtiva às autoridades do país vizinho, que recentemente aprovou a lei que promulga o marco ambiental para o cultivo de peixes não nativos, como a tilápia, no território paraguaio.
Esta legislação é resultado de mais de uma década de negociações entre ambos os países, apoiadas por dados de pesquisas realizadas pela Itaipu. A visita das autoridades paraguaias a uma cooperativa do Paraná não se deu somente por conta da proximidade. O Estado é o principal produtor nacional, tendo estabelecido um novo recorde de produção em 2025, com 273 mil toneladas de pescados, o que representa 27% da produção nacional.
E a C.Vale é uma das principais responsáveis por isso, uma vez que detém o maior frigorífico de pescado das Américas e um dos maiores do mundo. Ali, são processados diariamente cerca de 240 mil peixes, com um peso médio de 950 gramas cada. Além disso, a cooperativa congrega 276 produtores espalhados por 22 municípios da Região Oeste que, juntos, somam um estoque de mais de 50 milhões de tilápias em seus tanques. Em 2025, esse sistema de produção da C.Vale movimentou cerca de R$ 700 milhões.
“É um sistema que gera riqueza e transfere renda para mais de 6 mil famílias beneficiadas diretamente por essa cadeia da tilápia”, afirmou o gerente de psicultura da C.Vale, Paulo Roberto Poggere. “A C.Vale é uma referência no Brasil. E a gente quer demonstrar aqui todo o impacto que esse arranjo gera no território e os cuidados socioambientais que são necessários para que essa cadeia se sustente no longo prazo”, completou o gerente da Divisão de Reservatório da Itaipu (margem brasileira), André Watanabe.
É uma pujança que agora os governos brasileiro e paraguaio, por meio da Itaipu, querem levar aos pescadores artesanais e aquicultores familiares do reservatório. Atualmente, a margem brasileira conta com apenas algumas dezenas de pescadores artesanais que cultivam pacu em tanques-rede. Mas, com a tilápia, a expectativa é de melhorar os ganhos, uma vez que esta espécie tem mais interesse comercial além de uma melhor relação entre carne produzida por quilo de ração utilizada. Neste cenário, centenas de produtores poderiam ser beneficiados pela cadeia da tilapicultura estabelecida do Oeste Paraense.
“No Paraguai, há uma grande expectativa com a criação de tilápia no reservatório da Itaipu”, explicou a engenheira química e gerente da Divisão de Reservatório da margem paraguaia da Itaipu, Ana Carolina Gossen. “Por isso viemos aqui para conhecer as normativas e as tecnologias que podemos aplicar em nosso país. A ideia é, a partir disso, desenvolver planos e modelos de negócio que beneficiem os produtores paraguaios.”
Nesse processo, a preocupação do governo paraguaio também se estende aos aspectos ambientais da aquicultura. “Nosso trabalho é o de salvaguardar nossos recursos naturais, garantindo a sustentabilidade da produção, especialmente no que diz respeito aos aspectos de sanidade ambiental e conservação dos recursos hídricos”, afirmou o diretor de Pesca e Aquicultura do Ministério de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai, Adam Leguizamón.
Também fez parte do roteiro uma apresentação do Ministério da Pesca e da Aquicultura do Brasil sobre as ações da pasta para estimular o desenvolvimento sustentável desse setor no País e sobre como se dá o processo de outorga do uso de águas da União (como é o caso da metade brasileira do reservatório da Itaipu) para o cultivo de peixes. Pela internet, é possível verificar no mapa do território brasileiro quais são os reservatórios, o potencial e a capacidade de suporte de cada um, e se é possível pedir autorização para o cultivo.
“O reservatório da Itaipu tem uma capacidade para suportar uma produção entre 150 mil e 200 mil toneladas/ano, o que pode agregar muito às estatísticas de produção pesqueira no Brasil”, disse secretária nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula. “A ideia é que o Brasil e o Paraguai possam utilizar adequadamente o reservatório – com sustentabilidade ambiental, econômica e social – para gerar renda e segurança alimentar para a comunidade do entorno”, concluiu.
Na C.Vale, a comitiva foi recebida pelo diretor de Proteína Animal, Reni Girardi; pelo gerente do Departamento de Indústria de Proteína Animal, Neivaldo Burin; pelo gerente do Departamento de Produção Animal, Fernando Varolo; e pelo gerente do Abatedouro de Peixes, Jair De Sordi. O roteiro incluiu, ainda, uma visita a um produtor integrado, no município vizinho de Maripá.

