Política

Exclusivo: Conheça os assessores que redigiram o texto nazista que derrubou Alvim da Cultura

O gol contra de Alvim não foi marcado sozinho. Já havia uma crise instalada na Secretaria da Cultura entre os setores que culminou em um texto trágico, cujo conteúdo era desconhecido de Alvim, mas certamente conhecido por quem vazou para a imprensa a casca de banana jogada na sala do Secretário

O vídeo de Roberto Alvim, ex-secretário especial da Cultura contendo frases semelhantes à de Gobbels, Ministro da propaganda da Alemanha Nazista não foi redigido por Alvim, mas por assessores de seu gabinete que o levaram à queda. O Secretário participou da construção do texto, mas não o fez sozinho.  O presidente Jair Bolsonaro agiu de forma correta e rápida em o exonerar do cargo, pois mesmo Alvim não sendo o principal autor do conteúdo, é o responsável direto. Horas antes de sua queda, Alvim recebe uma mensagem da jornalista Mônica Bêrgamo da Folha de São Paulo, mais precisamente no início da tarde do dia 15 de janeiro. Alvim ficou muito irritado com a mensagem da jornalista e disse que alguém havia o traído e apenas três pessoas de dentro do gabinete sabiam. Alessandro Loiola, um dos seus assessores, disse em seguida. "Eu não fui chefe". Logo falaremos mais sobre ele neste texto. 

A esquerda rapidamente tentou criar uma narrativa querendo colar o discurso neste governo, que foi frustrada pela ação eficiente do presidente Bolsonaro. A trama que derrubou o Secretário da Cultura colocou um ponto de interrogação em intelectuais como Olavo de Carvalho, que acredita que a mesma fonte que escreveu o discurso e jogou a casca de banana foi a mesma que vazou para a imprensa de forma intencional. Há um silêncio sepulcral sobre o assunto que começa a ser desvendado nesta reportagem.

Gabinete do ódio

O núcleo de jornalismo investigativo do Agora Paraná descobriu quem foram os assessores que participaram diretamente da redação do discurso terrível que levou a queda abrupta de Alvim. O texto foi finalizado no dia 6 de janeiro no quarto andar do Ministério do Meio Ambiente, no bloco B da Esplanada dos Ministérios, onde fica localizado a sala da Secretaria Especial da Cultura. No desktop do Secretário, a assessora especial Dênia Magalhães redigiu o texto, feito em sua maior parte a quatro mãos entre o Secretário Roberto Alvim e Alessandro Loiola, coordenador geral de empreendedorismo e inovação da Secretaria Especial da Cultura. O então Secretário utilizou um teleprompter para gravação do vídeo que foi feita no dia 10 de janeiro.

O assessor Alexandre Leuzinger também estava na sala. O vídeo era tão importante para o grupo que foi discutido com os assessores em um bar na capital federal, depois do serviço, na noite do dia 6 de janeiro com os mesmos assessores, mais a chefe de gabinete. Eles ainda comemoraram juntos, em um vídeo no twitter, a marca de 10 mil seguidores nesta rede social, que era coordenada por Loiola, que embora fosse coordenador de uma área importante do Ministério, sua atuação estava sendo como de um assessor, pois era ele quem ficava a maior parte do tempo com o Secretário Alvim, que trouxe com o objetivo de redigir discursos, como por exemplo o que Alvim utilizou na Unesco.  

Pelas Redes Sociais, Alvim já havia informado que o conteúdo do texto havia sido redigido por assessores, mas não citou nomes. “O discurso foi escrito a partir de várias ideias ligadas à arte nacionalista que me foram trazidas por assessores. Logo depois, Alvim deletou sua conta no Facebook. A versão de que Alvim teria escrito tudo sozinho é muito frágil e não vai se sustentar depois desta reportagem que traz a verdade que todos na Secretaria sabem, mas poucos tem coragem de falar. Uma verdade dura, mas necessária para limpeza do arraial.

A Coordenação de Relações Institucionais da Secretaria, chefiada por Marco Frenette, funcionava como uma certa “ASCOM”, ou seja, assessoria de comunicação na pasta, pois os serviços jornalísticos e de comunicação são realizados por uma empresa terceirizada com jornalistas com viés de esquerda. Mas não foi este o problema, pois o texto foi entregue fechado à Frenette, que não participou das reuniões e sendo apenas depois contatado para solicitar a feitura do vídeo à agência. Foi passado apenas o conteúdo e a trilha nazista que também havia sido decidida por Alvim, Loiola, Alexandre e Denia.

Alvim quer assumir todas as consequências pelo ato falho, mas assim estaria poupando lobos. E quem poupa lobos, sacrifica ovelhas. A dinâmica de funcionamento da comunicação (assessoria de gabinete, assessoria de comunicação e agência contratada) está em texto público no facebook de Marcos Frenette, que seria o “ASCOM” da Secretaria, e segundo fontes próximas ao gabinete, já estaria sendo fritado por Alessandro Loiola, que já havia blindado Alvim, dessa forma tomando para si funções que extrapolavam sua competência, como fazer um pouco da comunicação de Alvim, redigindo textos, cuidando das redes sociais, dando um “by pass” em Frenette, que era o chefe da “ASCOM”, mas de fato estava esvaziado, não tinha mais acesso a cúpula e a tomada de decisões, tanto que recebeu o texto já pronto.

Os assessores estavam blindando Alvim ao ponto de que nem a agenda do Secretário, pessoas mais próximas já não tinham mais acesso. A reportagem entrou em contato com Marco Frenette que não quis conceder entrevista, mas, confirmou que não teve a menor participação nem na concepção do texto e nem em sua escrita, embora tenha acompanhado as filmagens. Em nota ao Agora Paraná, Frenette afirmou que não teve participação na construção do texto e que foi escrito em parte por Alvim e, ao que indicam os fatos narrados também por outras fontes consultadas com a ajuda de Loiola, Denia e Alexandre.  “Não escrevi e não participei da concepção do texto, até porque, tudo se deu na semana posterior ao do ano novo, na qual eu estava em recesso. O texto chegou às minhas mãos no meu retorno, com a ordem de ser inserido no teleprompter, e depois solicitarmos a filmagem. Não tinha a menor ideia de que no meio do texto havia uma frase semelhante à de Goebbels. Por último, lembremos que falar em ‘assessoria’ é muito vago, pois existe assessoria de imprensa e assessoria de gabinete. A assessoria de Relações Institucionais, a qual dirijo e envolve comunicação, recebeu apenas a demanda do vídeo, com texto finalizado”, disse Frenette.

Outro fato que chamou bastante atenção foi a reportagem do G1 escrita por Miriam Leitão, que entrevistou em Off, assessores que revelaram detalhes do gabinete culpabilizando Alvim, antes mesmo da publicação de sua exoneração. Ora, os assessores que vazaram a informação para Miriam Leitão seriam os mesmos que vazaram intencionalmente para um veículo de esquerda, logo depois do discurso de Alvim ser publicado? Ou indo mais a fundo, seriam os mesmos que redigiram? A pergunta retórica pode ser respondida por uma equação não muito difícil de ser feita, mas que não quer ser vista por muitos. Importante destacar neste texto que em seu perfil no Twitter, Alessandro Loiola é seguidor de Marcelo Freixo, Gleisi Hoffmann e Manu D’ávilla.

Fogo Amigo

Nos corredores da Secretaria da Cultura, com acesso livre a sala do Secretário, não eram raras as vezes que Alessandro Loiola criticava abertamente o trabalho da SECOM e de Fábio Wajngarten, que aliás tem feito um belíssimo trabalho a frente da pasta. Loiola gravou um vídeo há cerca de 50 dias, dizendo que tinha a fórmula para fazer a SECOM funcionar direito, segundo a sua ótica. Causa estranheza também, que alguns assessores da Cultura não esperam nem o “velório” da queda de Alvim e já iniciaram uma campanha com outros nomes e uma outra campanha aralela contra Regina Duarte. Veja o link de Loiola falando sobre a SECOM:

Vale frisar ainda que que a Secretaria da Cultura já não se reportava mais ao Ministro Osmar Terra da Cidadania, embora, legalmente deveria o fazer. Essa "rebeldia" tinha a chancela de funcionários de carreira que carregam influências dos governos lulopetistas e quando não são atendidos no que querem são especialistas em derrubar secretários e ministros, os dominando pela capacidade técnica, mas como uma cobra sucuri, mata com um abraço. O mesmo grupo que derrubou Alvim já mira a ala conservadora do governo.

480 milhões

Todo esse imbróglio ocorre em um momento que a Secretaria da Cultura estava em processo de descontingenciamento de R$ 480 milhões para serem usados em editais relacionados a cultura de um fundo que poderá ser emprestado a artistas a juros baixos.  

Outro Lado

Em nota, a advogada, Denia Magalhães, nega ter participado da produção do texto e joga a responsabilidade para a ASCOM da Secretaria. “Reitero que nem eu, nem Alexandre Leuzinger e nem Alessandro Loiola participamos do texto, como o Alvim deixou bem claro. Tampouco participamos da gravação do vídeo, sua produção e edição. Não tivemos qualquer influência criativa, intelectual ou artística na peça referida (vídeo institucional abordando o prêmio nacional das artes). Ainda, de fato usei várias vezes o desktop do Alvim na confecção do projeto para o edital do prêmio, no entanto, como já dito, não para o discurso. Por fim, a postagem do Frenette discorre sobre o papel da ASCOM, fazendo cair por terra a informação falsa de que a mesma não teve participação”, diz a nota enviada por Denia. Alexandre Leuzinger não foi localizado pela reportagem. Já Alessandro Loiola, além de recusar a ligação, bloqueou o contato deste jornalista no Whatsapp. Fontes, ligadas a Loiola, bem próximas na verdade, confirmaram os sonhos dele de assumir um dia a SECOM  e de suas aspirações na Secretaria. 

Veja aqui o vídeo de Alvim e Loiola no dia 6 de janeiro, dia que o texto estava pronto.