Brasil

Felipe Heiderich criou grupos de “intercessão” para extorquir mulheres e comandar milícia digital

As mulheres se reuniam para pagar o aluguel do falso pastor. Para algumas ele prometia se casar. Para uma delas, a promessa foi feita enquanto ele ainda era casado legalmente com Bianca Toledo e em período paralelo em que mandava nudez para adolescentes

O núcleo de jornalismo investigativo do Agora Paraná revelou as mentiras de Felipe Heiderich, falso pastor, que está sendo investigado pelo abuso sexual de uma criança de cinco anos em um caso emblemático que envolve o filho da cantora Bianca Toledo que será julgado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em primeira instância Felipe foi absolvido pelo mesmo juiz que mandou soltar da cadeia o traficante Nem, da Rocinha.  

Após as denúncias feitas com exclusividade pelo jornal Agora Paraná, o jornalista investigativo Roberto Cabrini gravou um programa especial trazendo mais provas sobre o abuso sexual, uma delas, um laudo psiquiátrico que revela o crime. Após a repercussão do material jornalístico, dezenas de mulheres entraram em contato com o Agora Paraná para relatar que também foram vítimas de Felipe Heiderich.  

Documentos obtidos com exclusividade pelo Agora Paraná revelam a troca de mensagens entre Felipe Heiderich e algumas de suas seguidoras a quem ele e sua mãe, Nerli Heiderich pediam dízimos e ofertas para manutenção deles, dizendo que se casaria com essas mulheres após o fim do processo contra Bianca Toledo.  Algumas mulheres eram esposas de pastores e achavam estranho o comportamento de Heiderich. As que questionavam eram subtraídas de um grupo de whattsapp que era usada para “intercessão” por Felipe, mas na verdade era mais um golpe de estelionato para tirar dinheiro das mulheres e formar uma milícia digital para atacar todas as pessoas que se manifestavam contra o falso pastor nas redes sociais.

Em um dos prints que a reportagem teve acesso, Nerli Heiderich, mãe de Felipe,  comenta com uma das mulheres do grupo um desentendimento com uma das pessoas que enviava “ofertas” para ela e seu filho.

Felipe Heiderich disse que havia sido ordenado pastor no Ministério Pão da Vida, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A reportagem do Agora Paraná entrou em contato com o pastor Walker de Melo, que o desmentiu e disse que ele chegou a simular um namoro com sua filha, mas quando foi confrontado por uma relação homossexual em sua igreja anterior, ele nunca mais apareceu. Em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, Felipe disse que se tornou pastor logo depois que se formou em teologia, no entanto, não informou qual Ministério concedeu esse título, que ele dizia ter há mais de 12 anos ainda quando era casado com Bianca Toledo. Tudo mentira.

Felipe Heiderich envolvia as mulheres de forma lasciva. Só podia participar do grupo de intercessão pessoas do sexo feminino, muitas delas separadas ou solteiras. Felipe e sua mãe pediam ajuda financeira e envolviam as mulheres de forma sedutora, em alguns casos prometendo casamento. Uma dessas promessas de casamento foi questionada por uma das mulheres pois legalmente Heiderich ainda estava casado com Bianca Toledo.

Vários grupos de Whattsapp eram formados. Uma pedagoga chamada Patrícia Garcia organizava a intercessão e ajudava a organizar os depósitos na conta de Felipe e de sua mãe, pois eles alegavam que estavam para ser despejados do apartamento.

Esses vários grupos de whattsapp servem também como uma verdadeira milícia digital, pois é a partir destes grupos que eles enviam os links de quem critica Felipe. As mulheres são usadas como massa de manobra por um falso pastor.  

Mulheres do Brasil inteiro participavam dos grupos de whattsapp. Uma delas, disse a reportagem que foi atraída a acreditar nele.  “Depois de um tempo parei de orar por ele, mas o Espírito Santo me orientou a orar diferente, não por ele, mas pedindo a verdade. Eu acreditei nele, mas nos próprios grupos ele dizia que foi bem tratado no presídio e depois publicamente contou outra história dizendo que foi espancado. Ele caia em contradição”, disse.