Maternidade em condições adversas desafia mulheres a não desistirem dos filhos
Aline de Fátima Silva Moreira e Marli Gonçalves de Farias são fortes exemplos de mães dedicadas e resilientes
Os dois filhos da dona de casa Aline de Fátima Silva Moreira, de 37 anos, estão aprendendo a se comunicar também por Libras – a Língua Brasileira de Sinais. Eles ouvem bem, mas esse é o principal recurso de interação social que a ajudou a se preparar para a tão sonhada maternidade de Théo Henrique, de 8 anos, e Heitor Henrique, de 2 anos.
Aline é surda e as gestações dos meninos foram tão importantes que, nas duas ocasiões, recorreu à intermediação da intérprete de Libras e amiga Sandra Mathias, da Central de Libras da Prefeitura, nas consultas de pré-natal. O serviço faz parte do Departamento dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH). “Pelas perguntas que ela fazia ao médico, dava para perceber que eram dúvidas antigas, por não ter como se expressar na língua convencional”, observou Sandra.
“Minha vida mudou. Aprendi muito com a maternidade e percebo que o amor por eles é muito maior a cada dia”, conta Aline, com a ajuda de Sandra. Agora, entre suas preocupações, está acompanhar o desenvolvimento dos filhos e participar da vida escolar deles. Com a ajuda da tecnologia, troca mensagens com outras mães e professores. “Estou muito orgulhosa de ver os meus filhos, que falam com tranquilidade desde bebês e estão aprendendo também para conversar conosco”, completou, referindo-se ao marido, que também não ouve.
“Minha vida mudou. Aprendi muito com a maternidade e percebo que o amor por eles é muito maior a cada dia”, conta Aline, mais uma vez com a ajuda de Sandra. Agora, entre suas preocupações, está acompanhar o desenvolvimento dos filhos e participar da vida escolar deles. Com a ajuda da tecnologia, troca mensagens com outras mães e professores. “Estou muito orgulhosa de ver os meus filhos, que falam com tranquilidade desde bebês, aprendendo também para conversar conosco”, completou, referindo-se ao marido, que também não ouve.
O filho venceu
Marli Gonçalves de Farias, de 42 anos, também está orgulhosa do filho mais velho, Vinícius Henrique, mas por motivo bem diverso de Aline. Aos 25 anos, o rapaz está empenhado em se manter longe das drogas.
Depois de ter passado por duas comunidades terapêuticas e pela unidade de acolhimento temporário da SMDH, que Marli fez questão de conhecer, ele alcançou a autonomia. Hoje trabalha na construção civil, paga o aluguel da casa onde mora e está fazendo um curso técnico de Elétrica Predial e Industrial.
“Outro dia, por acaso, encontrei meu filho na rua, no Centro, sujo. Mas ele não estava sujo porque estivesse desorientado, mas porque estava trabalhando. Não é para estar orgulhosa? Fizemos uma foto que, para nós, tem muito significado”, lembra Marli.
Agradecido, Vinícius define o papel da mãe na sua trajetória.
“Ela me dá motivação. Se eu tenho algo de bom e não fiz coisas piores na vida, é por causa dela. Minha mãe é extraordinária. Ela sofreu muito por minha causa e do meu irmão, mas sempre deixou claro que o problema não era a gente: era o que a gente fazia”, resume Vinícius.
Marli destaca a importância do papel das mães, da rede de apoio familiar, dos amigos e dos serviços públicos para o sucesso do enfrentamento à dependência do álcool e das drogas ilícitas, mas também para as próprias mães se manterem saudáveis. “É necessário apoiar os filhos nessa situação, mas nós também precisamos de apoio. Não lute sozinha porque você não vai vencer dessa forma. Procure ajuda das pessoas certas, preparadas para isso, e que vão te incentivar”, aconselha.
A vida de cabeça para baixo
Com apenas 30 anos, Letícia Roscoche tem a rotina totalmente voltada aos cuidados do filho Charlie Roscoche Pedroso, que acaba de completar 10 anos. Com autismo nível 3, o menino não fala e foi diagnosticado uma malformação rara. É a Síndrome de Arnold-Chiari, que afeta cerebelo e coluna. Por conta disso, o menino frequenta escola especial e tem a agenda tomada por consultas, exames e terapias.
Para dar conta dessa demanda, Letícia abriu mão do trabalho e do curso de bombeiro civil, que fazia quando ficou grávida e, sabe, não vai retomar. “Preciso cuidar do meu filho, que é um menino lindo. Além da questão do tempo para dar todo esse suporte, tem a questão financeira. Recebo auxílio do governo e não tenho como contratar pessoas pra me ajudar. Só tenho meu marido e meus pais, que ajudam dentro de suas possibilidades”, conta, sem nenhum traço de amargura.
Com uma visão prática e positiva da realidade, incentiva as mães a serem resilientes e não desistirem dos filhos com deficiência. “Foi um susto muito grande no início. Fiquei triste e tive medo de não dar conta. Mas o que eu achei que ia me matar, me fortaleceu. Eu posso lutar, por ele e por mim, que também preciso estar bem pra cuidar dele. O que vocês puderem fazer pelos seus filhos, façam”, pede.

