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Atendimento social da FAS é ofertado durante as refeições

Mesa solidária Plínio Tourinho. (Foto: Hully Paiva/SMCS)

Todos os dias, enquanto centenas de pessoas circulam pela Praça Solidariedade, no Rebouças, em busca de marmita, equipes da Fundação de Ação Social (FAS) trabalham para resgatar pessoas que estão em situação de rua.

Com seus conhecidos jalecos azuis, assistentes e educadores sociais e cuidadores circulam entre os frequentadores do local, que é referência para a população em situação de rua da cidade e que, desde maio de 2020, ganhou o programa Mesa Solidária. O trabalho da equipe é para orientar sobre os riscos da covid-19, a necessidade de se fazer distanciamento social, usar máscara e higienizar as mãos. Mas, o mais importante, oferecer serviços.

Tecnicamente chamado de escuta qualificada, o trabalho consiste em ouvir atentamente a história de vida da pessoa abordada, suas dificuldades e necessidades, além de buscar saber sobre a sua situação pessoal, social, familiar e comunitária.

“É neste momento que identificamos as demandas que precisarão ser atendidas e encaminhadas”, explica a supervisora do Núcleo da FAS na Regional Matriz, Vanessa Resquetti.

Responsável pelo atendimento de 68% das pessoas em situação de rua de Curitiba, que se concentram na região central da cidade, Vanessa ressalta que o objetivo da escuta qualificada é promover o acesso do cidadão aos direitos sociais, à melhoria das condições de vida, o enfrentamento e superação das violências, além da busca da autonomia.

“A partir da troca de informações entre o profissional e o usuário, são feitos encaminhamentos, como acolhimento, atendimento de saúde, confecção de documentos, retornos familiares, concessão de passagens rodoviárias e até a permanência em comunidades terapêuticas para aqueles que são dependentes químicos”, diz a supervisora.

Retorno familiar

Paulista, Fabiano dos Santos Lima, 29 anos, estava em situação de rua em Curitiba e, na última terça-feira (6/4), foi abordado pela equipe no Mesa Solidária da Praça Solidariedade. Depois de se alimentar, foi encaminhado para acolhimento na casa de passagem que funciona no mesmo local.

Durante a conversa com a equipe, Lima falou da vontade de voltar para a casa da mãe, que mora em Barbosa Ferraz, no Noroeste do Paraná. Com a possibilidade do retorno familiar, o homem foi encaminhado para a Casa da Acolhida e do Regresso, também da FAS, que pagou a passagem rodoviária. Lima embarcou às 22h de quarta-feira (7/4), levando também na mochila um pacote com o lanche oferecido pela CAR para se alimentar durante a viagem.  

 “Depois de sete dias na rua, achar um lugar pra tomar banho, comer e dormir é muito bom”, disse ele, poucas horas antes do embarque. Lima elogiou o trabalho da FAS e disse que o Mesa Solidária é um “serviço raro”. “A prefeitura e as ONGs estão de parabéns. Devia ter mais deste serviço por ai. Mesmo durante a pandemia, todos estão de braços abertos para atender a gente”, disse o rapaz que já viveu em situação de rua em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. 

Viagem de graça

Agnaldo dos Santos, 42 anos, também recebeu da CAR a passagem para viajar até Balneário Camboriú (SC), depois de ter sido abordado no Mesa Solidária da Praça Solidariedade, onde se alimentou e foi acolhido por uma noite.

Acrobata, Santos contou que não tem moradia fixa e que costuma usar os serviços públicos oferecidos pelas cidades por onde passa.  “Eu estava vindo de Governador Valadares (MG) de bicicleta para visitar minhas filhas em Santa Catarina, mas tive minha bicicleta roubada em Registro (SP)”, contou. Sem ter como seguir viagem, Santos pediu ajuda ao município que bancou a passagem até Curitiba.

Na capital, Santos jantou no Mesa Solidária, tomou banho e dormiu na Casa de Passagem Jardim Botânico. “Não tenho do que reclamar. Tem coberta limpa, máscara, álcool em gel, alimento bom. É muito gratificante ter onde dormir”, disse ele enquanto era atendido na CAR, antes de embarcar para Santa Catarina, às 17h, desta quarta-feira.

Emprego e casa nova

De pessoa em situação de rua, Gerson Pereira, 51 anos, se transformou em um trabalhador com carteira assinada e casa nova para morar. A transformação de vida começou com um atendimento da equipe da FAS, em um dos mutirões sociais que aconteciam na Praça Rui Barbosa, até antes da pandemia.

Na ação social, Pereira ganhou óculos novos, tratamento dentário e foi encaminhado para acolhimento. Pereira dormia em um dos hotéis sociais da Prefeitura e se alimentava no Mesa Solidária da Praça Solidariedade.

Trabalhador e dinâmico, o homem ajudava as equipes voluntariamente até que foi encaminhado para uma entrevista de emprego em uma empresa terceirizada da Prefeitura. Com várias experiências profissionais, Pereira foi contratado e há um ano trabalha na Praça Solidariedade, na área de serviços gerais. Entre as suas responsabilidades está a organização do espaço, a distribuição de máscaras para os usuários e até a entrega de marmitas fornecidas pelos grupos voluntários parceiros do Mesa Solidária.

Praça Solidariedade

Diariamente, centenas de pessoas passam pela Praça Solidariedade, que se tornou um complexo de atendimento para a população em situação de rua em Curitiba. No local, além da oferta de alimentação, há duas unidades de acolhimento, sanitários, espaços para higiene pessoal, banho, guarda-pertences, cabide solidário, lavanderia - com seis máquinas de lavar e seis máquinas de secar roupas -, além de canil para os animais de estimação dos acolhidos.

Desde maio de 2020, quando o Mesa Solidária chegou à praça, quase 110 mil marmitas foram servidas no local, no almoço e jantar. Durante as refeições, 219 pessoas que chegaram pela primeira vez à praça para se alimentar foram abordadas pelas equipes. No mesmo período, 37 pessoas que estavam no local precisaram de atendimento do SAMU e 380 foram encaminhadas para acolhimento.