Câmara de Curitiba assina contratos com TIF e GTZ para publicidade
Agências prestarão serviços de comunicação institucional; teto conjunto dos contratos é de R$ 6,9 milhões
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) assinou nesta sexta-feira (14) os contratos com a TIF Comunicação e a GTZ Comunicação e Performance, vencedoras da Concorrência Pública 1/2026. As duas agências passarão a prestar serviços de publicidade institucional e de utilidade pública para o Legislativo municipal, em contratos com vigência inicial de 12 meses.
“Estamos dando um passo muito importante para fortalecer a comunicação institucional da Casa e, principalmente, para aproximar ainda mais a Câmara das pessoas”, afirmou o presidente da Câmara, Tico Kuzma (PSD). Para ele, a contratação amplia as condições para que a população acompanhe as decisões do Legislativo e conheça os canais de participação oferecidos pela instituição.
“A Câmara representa cerca de 1,8 milhão de pessoas, que precisam saber o que acontece aqui: o que os vereadores estão discutindo, o que está sendo votado, quais projetos estão sendo aprovados, quais serviços a Câmara oferece e, principalmente, como o cidadão pode participar e fiscalizar o trabalho do Legislativo”, disse o presidente da CMC.
Ele ressaltou que o objetivo da contratação é ampliar o acesso da população às informações sobre o Poder Legislativo. “Essa contratação não é sobre fazer propaganda da Câmara. Comunicação institucional não é promoção; é transparência, é prestação de contas e é educação cidadã. Esse sempre foi o princípio que orientou esse processo”, completou.
A assinatura encerra a licitação lançada em janeiro deste ano. O certame selecionou TIF e GTZ entre as dez empresas participantes, depois das etapas de julgamento técnico, análise das propostas comerciais e habilitação. As duas agências foram declaradas vencedoras em 30 de julho, e o resultado foi adjudicado e homologado em 7 de agosto. Representantes da AERP (Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná) e dos grupos de mídia RPC, RIC, MASSA, BAND, Evangelizar e TVCI participaram da reunião.
Publicidade amplia alcance da comunicação da Câmara
Diretor de Comunicação Social da Câmara, Diogo Dreyer destacou que a publicidade permitirá ultrapassar os limites do alcance orgânico dos canais institucionais já mantidos pela CMC. “A Câmara tem um trabalho de comunicação que já é referência para outras cidades, outros municípios e outras câmaras, mas a gente tem um teto do alcance orgânico, do que consegue atingir”, explicou.
Com a contratação, as agências poderão atuar no estudo e no planejamento de comunicação, na criação e na produção de peças, no planejamento e na compra de mídia, na contratação e na supervisão de fornecedores especializados, na realização de pesquisas e na avaliação de campanhas, além do desenvolvimento de soluções de publicidade para meios digitais e novas tecnologias.
O escopo não abrange assessoria de imprensa, relações públicas ou realização de eventos festivos. A definição das demandas, a elaboração dos briefings e a aprovação das campanhas continuarão sob responsabilidade da Diretoria de Comunicação Social.
Entre os exemplos previstos no Termo de Referência estão campanhas de divulgação do Câmara Aberta e das visitas guiadas ao Legislativo, ações relacionadas à nova sede da CMC, mobilização para consultas públicas sobre temas como a Lei Orçamentária Anual (LOA) e o Plano Diretor e divulgação da Ouvidoria, do Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), da Carta de Serviços e do Portal da Transparência.
Agências destacam comunicação de interesse público
Fundador e CEO da TIF Comunicação, Thiago Biazetto afirmou que a agência já trabalha com comunicação de interesse público e considera a compreensão sobre o papel do Legislativo um dos principais desafios do novo contrato.
“Acho que as pessoas sabem que existe a Câmara, mas não necessariamente sabem o que faz a Câmara”, disse. Para Biazetto, a publicidade deve primeiro ajudar o cidadão a entender a função da instituição e, a partir disso, “dar visibilidade para tudo que é feito aqui dentro”. O CEO da TIF também destacou o caráter técnico da concorrência. Segundo ele, o processo exigiu trabalho nas áreas estratégica e criativa e contou com grandes concorrentes. “Para a gente foi motivo de bastante orgulho quando descobrimos que ficamos em primeiro lugar.”
Para Fernando Henrique Cardoso Gonçalves, sócio-diretor executivo da GTZ Comunicação, o trabalho também poderá contribuir para tornar mais claro o funcionamento das instituições públicas. “É uma necessidade que a nossa sociedade tem de ser mais politizada, de entender um pouco melhor o papel de cada um, e com certeza o nosso trabalho vai ajudar nesse sentido”, afirmou. “A Câmara demonstrando qual é o papel dela, mostrando que ela é a Casa do Povo, vai trazer clareza para as pessoas entenderem o papel de cada um dentro do processo.”
Representaram também a TIF na assinatura Cícero Rohr, diretor de Atendimento, e Daniela Andres, diretora de Operações. Pela GTZ, além de Fernando Gonçalves, sócio-diretor executivo, compareceu Leandro de Moura Penia, sócio-diretor de Mídia e Performance.
Comunicação pública e transparência
O presidente da AERP, Rodrigo Martinez, relacionou a contratação à ampliação do acesso da população às informações públicas. “Fico feliz como cidadão curitibano, porque sei que teremos mais transparência, com os veículos tradicionais e sua credibilidade”, afirmou.
A AERP participou das discussões que antecederam a licitação e colaborou com a Câmara, entre outras iniciativas, com pesquisa sobre o interesse da população em receber informações sobre as atividades do Legislativo.
Tico Kuzma agradeceu a participação da entidade e destacou a contribuição da associação na construção do modelo adotado. Também citou a colaboração da Secretaria Municipal da Comunicação Social de Curitiba, da Assembleia Legislativa do Paraná e da Secretaria de Estado da Comunicação.
Secretário municipal da Comunicação Social, Marc Sousa resumiu o papel da comunicação institucional como uma ligação entre a atuação do poder público e os cidadãos. “Fazer comunicação pública é falar com as pessoas, porque elas precisam saber o que é feito pelos Poderes”, afirmou. “Informar é um dever. E, a partir de hoje, vamos trabalhar para fazer isso chegar ainda mais longe”, concluiu o presidente da CMC.
Teto de R$ 6,9 milhões é compartilhado
O valor máximo estimado para os primeiros 12 meses é de R$ 6,9 milhões, compartilhado entre as duas agências. O montante não corresponde a R$ 6,9 milhões para cada empresa, nem estabelece uma divisão automática de R$ 3,45 milhões entre elas. A Câmara também não é obrigada a executar integralmente o valor previsto. Os gastos ocorrerão conforme as campanhas e ações de publicidade que forem efetivamente demandadas, autorizadas e executadas durante a vigência dos contratos.
Segundo o presidente da CMC, o teto foi definido após a análise de investimentos em publicidade institucional feitos por capitais e municípios de porte semelhante ao de Curitiba. “A licitação foi construída com muito planejamento, transparência e rigor técnico. Foram meses de estudos até chegarmos a um modelo que permite à Câmara ampliar seu alcance, mantendo responsabilidade com o dinheiro público e respeito absoluto às regras que devem orientar a comunicação de uma instituição pública”, afirmou.
Como serão escolhidas as agências para cada trabalho?
A existência de dois contratos não significa que cada agência receberá metade das demandas. TIF e GTZ não terão exclusividade sobre os serviços, e a escolha para cada trabalho obedecerá ao Manual de Procedimento de Seleção Interna da Câmara.
O modelo divide as ações em três níveis, conforme o investimento estimado. Para trabalhos de até R$ 500 mil, a Diretoria de Comunicação poderá selecionar a agência considerando critérios como experiência em ação semelhante, condições para executar a demanda ou possibilidade de reaproveitar ou adaptar trabalho anterior.
Nas ações estimadas entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, as agências poderão ser chamadas a apresentar propostas para o mesmo briefing, em igualdade de condições. As soluções serão analisadas pela DCS e poderão, inclusive, ser integradas ou ter execução compartilhada.
Para ações acima de R$ 2 milhões, a análise técnica será feita por uma comissão formada por representantes da Diretoria-Geral e da Diretoria de Comunicação Social. Serão avaliados planejamento publicitário, solução criativa e estratégia de mídia e não mídia.
Dreyer explicou que a Câmara ainda realizará procedimentos internos relacionados à execução contratual. “Agora nós temos os ganhadores e a Câmara tem que fazer um processo interno, uma regulamentação de como vai ser feita tanto a prestação de contas quanto a nossa métrica de mídia, para deixar isso bem transparente, bem claro.”
Controle dos gastos
O edital estabelece mecanismos específicos de acompanhamento das despesas realizadas por intermédio das agências. Na contratação de fornecedores especializados para a produção de peças, por exemplo, deverão ser apresentados ao menos três orçamentos de empresas cadastradas e atuantes no setor.
Quando uma produção tiver valor superior a 0,5% do valor global da contratação, os orçamentos deverão ser apresentados em arquivos fechados e abertos em sessão pública fiscalizada pela Câmara.
As despesas com produção e veiculação também deverão ser acompanhadas de documentos que indiquem valores cobrados por fornecedores e veículos, tabelas de preços, descontos negociados e, sempre que possível, comprovem a veiculação realizada.

