Com prevenção e protocolos, transporte coletivo garante serviço essencial e seguro durante a pandemia

A prevenção e os protocolos sanitários têm sido os maiores aliados do transporte público de Curitiba nos últimos meses, o que vem garantindo a continuidade de um serviço essencial à população. Várias pesquisas têm apontado que os ônibus não são um vetor de transmissão do vírus da covid-19, como se chegou a pensar no início da pandemia, por se tratar de uma atividade em que há grande movimentação de pessoas.

Estudos apontam que não existe relação direta entre o número de passageiros nos ônibus e os casos da doença. Em cidades onde houve interrupção total do serviço ou redução da sua capilaridade, o número de diagnósticos foi igual ou até maior do que em cidades que mantiveram o serviço. 

Além disso, a Prefeitura lançou mão desde o início da pandemia de uma série de medidas preventivas, como ocupação máxima dos veículos, distanciamento nos terminais, medição de temperatura dos usuários e sanitização de estações e veículos.

“O transporte coletivo permite que a cidade funcione e é essencial para trabalhadores que não podem parar na pandemia, como os profissionais de saúde. Cerca de 70% dos trabalhadores da saúde utilizam ônibus para ir trabalhar em Curitiba”, afirma Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), responsável pela administração do sistema na capital. “Pedir para que os ônibus deixem de circular é o mesmo que pedir para a cidade parar e penalizar a população que não tem como arcar com outros meios de locomoção”, lembra ele.

Dados

Segundo estudo epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), feito em parceria com a Urbs, o índice de contaminação de passageiros do transporte coletivo de Curitiba é inferior a 1%. 

A pesquisa cruzou dados de CPF dos portadores do cartão transporte – responsável por 65% das transações de pagamento no transporte público – e de pacientes com covid-19 da rede pública e privada de Curitiba. Os dados, compilados de março de 2020 a março de 2021, mostram que 99,9% dos passageiros não tinham sido contaminados. No período analisado, o maior índice de contaminação foi de 0,09% sobre o total de passageiros no dia, registrado em novembro do ano passado.

Uma das razões para isso é que nos ônibus os passageiros circulam por períodos específicos, geralmente alertas quanto aos cuidados, em um ambiente que tem movimentação frequente de ar com as janelas e alçapões abertos e a sequência de abertura das portas para o embarque e desembarque. 

A Prefeitura tem adotado uma série de medidas para minimizar o risco de contágio, como limitação da passageiros por ônibus – atualmente em 50% da capacidade -, marcação de distanciamento de filas nos terminais, colocação de displays de álcool gel em terminais e estações-tubo e ainda linhas de ônibus específicas para atender os profissionais de saúde e quem vai ser vacinado. Terminais, estações-tubo e pontos de ônibus recebem periodicamente sanitizações especiais.

Os ônibus têm renovação do ar feita pelo sistema de ventilação pelo menos 20 vezes a cada hora – ou seja, é restaurado a cada três minutos. Paralelamente a isso, a frota foi mantida mesmo com a queda no movimento durante a pandemia, para que os ônibus trafeguem com menos passageiros e mais distanciamento entre eles. O número atual de usuários no transporte coletivo é de 370 mil por dia, cerca de 50% menor do que antes da pandemia.  

Além disso, os usuários do cartão transporte que tenham diagnóstico de covid-19 passaram, a partir de março de 2021, a ter o cartão bloqueado se tentarem furar o isolamento e entrar nos ônibus. 

Para o epidemiologista Diego Spinoza dos Santos, do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde,  esses fatores ajudam a manter o contágio baixo no sistema de transporte de Curitiba. Mas ele alerta que nem por isso é possível relaxar nos cuidados. “É preciso manter os protocolos sanitários para mantermos baixos níveis de contaminação, sobretudo com o uso de máscaras e higienização frequente das mãos”, disse.

Como em qualquer outro local

Um outro estudo, desenvolvido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), mostra ausência de ligação entre o uso do ônibus e o aumento de casos de covid-19. A pesquisa concluiu que o risco de contágio nos veículos e terminais existe como em qualquer outro ambiente que costuma reunir grande número de pessoas, desde supermercados e restaurantes a clínicas e escritórios.

Publicada pela NTU, a pesquisa foi realizada com dados de passageiros transportados em 15 sistemas de transporte que englobam 171 municípios em todo o País, inclusive Curitiba e Região Metropolitana. Juntos, esses sistemas são responsáveis por 325 milhões de viagens por mês ou 13 milhões por dia, o equivalente a 32,5% dos deslocamentos no país. 

Os dados foram cruzados com registros de casos da doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas mesmas cidades. 

“Obviamente, ninguém está dizendo que não existe risco de contágio no transporte. Todavia, conforme as evidências científicas, o risco é o mesmo de outros ambientes com várias pessoas”, pondera André Dantas, diretor técnico da NTU, na publicação.

“A pesquisa mostra que não houve associação entre o número de passageiros e o número de casos de covid-19”, completa Harley Oliveira, professor da Universidade de São Paulo (USP), especialista em gestão de saúde e consultor para organismos internacionais no contexto da pandemia.

As ocorrências de covid-19 foram analisadas em 17 semanas epidemiológicas, de 29 de março a 25 de julho de 2020. O estudo completo pode ser conferido neste link.

Um outro levantamento, desenvolvido no Estado de Goiás, também mostra que suspender o serviço de transporte coletivo não diiminui o número de casos de covid-19.. A pesquisa, realizada pelo diretor técnico da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) de Goiânia, Benjamin Kennedy Costa, cruzou dados de 54 cidades. As cidades que suspenderam o serviço de transprte coletivo tiveram uma média de 7,2% casos em relação à população. Já em municípios com transporte coletivo, essa proporção foi menor, de 6,54%.

Ações para reduzir o risco de contágio no transporte coletivo de Curitiba

•    Acompanhamento diário dos dados de movimentação de passageiros pelo SBE – Sistema de Bilhetagem Eletrônica, pela fiscalização do transporte coletivo e CCO – Centro de Controle Operacional da Urbs;
•    Diariamente são reprogramadas linhas com base nas informações do dia anterior, visando atender as necessidades dos usuários;
•    Aumento de frota nos períodos da manhã e tarde, com 100% em horários de pico;
•    Fiscais nos maiores terminais em horários de pico para manter o distanciamento e o limite de passageiros por ônibus;
•    Sanitizações especiais nos 22 terminais de ônibus, 330 estações-tubo, 2.640 pontos Clear, além de toda a frota operante;
•    São realizadas higienizações diariamente, no período noturno, de todas as estações tubo;
•    Os ônibus passam por higienização nas garagens ao final da operação diariamente;
•    O uso de máscaras é obrigatório no transporte coletivo desde o início da pandemia;
•    Foram demarcados terminais e estações-tubo orientando para o distanciamento das pessoas;
•    Lotação máxima limitada a 50% da capacidade dos ônibus;
•    Foram isolados os motoristas e cobradores no interior dos ônibus;
•    Colocação de termômetros e saboneteiras com álcool em gel em terminais e estações-tubo
•    Foi criada linha exclusiva para profissionais de saúde, reduzindo a exposição destes para os demais usuários;
•    Foi criada a Linha Vacina-Parque Barigui, para atender exclusivamente quem vai se vacinar no Pavilhão da Cura, maior ponto de imunização da cidade
•    Bloqueio de cartões transporte de usuários com diagnóstico de covid-19
•    Criação do Urbs Móvel, veículo que leva serviços relacionados ao transporte coletivo, como confecção do cartão transporte, até o usuário.
•    Campanhas de orientação sobre os cuidados foram amplamente divulgadas com cartazes em terminais, estações tubo e pontos de ônibus, mensagens de voz nos coletivos.

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